quem não conhece - sempre está a me perguntar o que é o tal do chamamé - se é uma dança - um jeito de tocare para responder abraço o violão e solto o coração só pra dizer nessa minha canção - o quanto é lindo meu chamamé o chamamé - é o estandarte do meu pantanal é primazia sul-mato-grossense - bandeira da tradição cultural o chamamé - é profissão de amor - cultura e fé é expressão maior do nativismo - amar a terra é cantar chamamé o chamamé - é nossa casa sempre hospitaleira é meu Mato Grosso do Sul - nossa gente boa - nosso céu azul o chamamé - é canto - é dança - estilo de viver um livro pra ensinar e aprender são coisas da vida - sou eu e você.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
A Saudade é Matadeira – Chora Viola, Chora Sentida
saudade é dor doída é estrada sem ter fim saudade é mar aberto navego dentro de mim saudade é pranto é céu negro sem brilho saudade é choro farto é dor de parto sem filho a saudade é matadeira é janela que nunca fecha saudade é dor no peito a saudade é espera a saudade é viola sentida parece que entende repete na nota sofrida a dor que a gente sente.
Caborteiro – Sobre os Peões e o Universo Pantaneiro
peão quando dá pra ser caborteiro é que nem porco em chiqueiro é mais esparramado que arroz secando parece chuva fininha quando viu acabou molhando parece cavalo chucro na doma gato fugindo do banho cachorro que deitou na lama bezerro que perdeu o rebanho na primeira tá ali na segunda sumiu peão quando dá pra ser caborteiro é um esparramo, é um tiro de fuzil !
TROVADOR CAMALOTEIRO
Sou donde as águas espelham o céu, em noite de lua. Viajante coricheiro, estradeiro de beira-mato, contenda do criador. Carrego no peito o respeito e no alforje a dor, que trovo "en Ava Ñe' e". Sou pirangueiro salineiro, filho dos sete povos, missionário pampiano, donde o vento aragano me lembra que a brisa minuana com o sol se vai. Con mis templas pudo librarme de la negra ilusión del Mondii. Porque en la tierra del lugar no hay buena suerte y si la pelea para vivir libre e trabajar. Amante de los pagos Guaranys, herederos de la traición “una”. Além de minha tendência oral, maior que tudo e que rega meu caminho, o Pantanal. My canto se rima con los piados del pajarito qui suplica por su morada, en los camalotes, como un trovador...
HISTÓRIA DE BOIADEIRO
Preste atenção companheiro, pra história que vou contá. Vim das bandas da serra, Nabiléque é meu lugar. Certa feita nesta lida, tocando comitiva, do Miranda ao Paiaguás, Vi meu amigo, a morte que rondava meu caminhar. Ái que quando meu ponteiro “crioulo” avista uma batida, meio aos “brocotó”. Senti que minha guarda seria testada e por Deus chegaria a escapá. Na travessia de uma vazante, uma pintada negaceava a rês que passava. Noitinha, a lua graúda espelhava nas aguada, que dava pra vê os jacaré mergulhá. A peonada na rede, o fogo apagado, só se via os zóio dos boi “y la luna plateada”. Foi quando, um esturro, uma gritaria, e os boi parecia chora de temor. De perto eu mais compadre Jaú, quando vimo que a danada bufava e grunhia qual um marruá. Saquei meu pau de ferro e dei dois tiro. Um derrubou a gata e outro arrematou o serviço. Na manhã clarinha fomos conferir e além dos boi se foi dois cumpanhêro. Saldade do meeiro Araquém e do culatrero Siô Preto véi. Meio ao sangue de boi achemo meu cachorro piloto que tentava escapá. Saímo dessa por sorte e agora essa historia eu venho lembrá. Sai do meu peito doída como o som da minha viola neste chamamé sofrido onde, eu vivo, posso potiá. Essa lida é dura quem tem sorte vence quem nun tem vira lembraça . Pantanal é cenário da luta do homem pela vida, contra sua própria sorte e esperança, com Deus como testemunha e as dez cordas prá a morte afugentá.
JAPACANIM
Canta, canta ave vigilante, mostra teu canto forte que espanta a morteCanta ave santa, retirante do céu, trovador camaloteiroVive a espreita, na margem estreita de um riacho vivoSalva tua cria porque o homem está perto.O bicho pintado vem de longe e te repele à tua própria “voz”Canta, canta ave viva que de morte te ameaçamCanta ave bela e chama pra perto teu rival, mas não divide tua cria.Vive ligeiro e avisa tua prole do perigo pertoSalva tua pena, do bote certeiro que ameaça teu ninhoO bicho homem já está perto e te divide à tua própria sinaCanta, canta bicho bonito, teu canto afina minhas cordasCanta ave preta e parda, tua cor me mostra a vidaVive piando quando a canoa chega, cede quando esta se vaiSalva teu rio, teu caminho, teu destino e do homem também, algoz dele próprioO bicho vem aí, usa tua arma de apelo, mostra que tua força é mistério de poucos.
De: Um Pássaro Pantaneiro Qualquer, chamado Japacanin.
De: Um Pássaro Pantaneiro Qualquer, chamado Japacanin.
NAVEGANTE DO XARAÉS
(Poesia Pantaneira)
Sou Pantaneiro, violeiro e payador,
Letrado nas dez cordas, sou poeta cantador,
Meu sangue traz o vemelho da terra, na péle o moreno do sol,
Sou Bugre da fronteira, na bruaca “traigo caña”, na guaiaca chamamé.
Nascido na beira da aguada, criado de sol a sol,
Fui meieiro, culatreiro fui ponteiro fui peão,
Laçador de marruá, de cima desse baguá, contemplo meu chão.
Se topo com um desafio, não temo e luto, qual dourado no anzol.
Sou índio curandeiro, cururueiro trovador,
Tocador de boiada, “che ha`e toro pochy, akakuâa mba`apo pojhýipe”.
Visionário Guarany, cavaleiro, canoeiro e domador.
Sigo navegante dessas terras, no mar desse sertão.
Trovador das enrramadas, poeta da madrugada, sou ator.
A comitiva é minha família e eu sou meu capitão.
Debaixo do cambará, com meu chapéu carandá, minha cama é esse chão,
Nem a cheia nem o frio, nem a onça no cil, me impedem por onde eu for.
Sou da terra alagada, onde cantam os aranquãs,
Onde pasta o campeiro, caça a pintada, jacarés e taxãs.
Na manhã o trinca-ferro faz compasso e na mata o estardalhaço do bugiu.
Onde a garça faz seu ninho, meio ao brejo e o espinho donde o peixe já fugiu.
Parto rimando essa quadra, matula do coração.
Ponteando essas cordas da Turina ao Bordão,
Sigo Rio-Abaixo, Rio-Acima em busca de “una china, mitãkuña”.
Uma mestiça da terra, uma índia féra anhanguera, “la guaina porã”.
Assinar:
Postagens (Atom)