quarta-feira, 1 de outubro de 2008

HISTÓRIA DE BOIADEIRO

Preste atenção companheiro, pra história que vou contá. Vim das bandas da serra, Nabiléque é meu lugar. Certa feita nesta lida, tocando comitiva, do Miranda ao Paiaguás, Vi meu amigo, a morte que rondava meu caminhar. Ái que quando meu ponteiro “crioulo” avista uma batida, meio aos “brocotó”. Senti que minha guarda seria testada e por Deus chegaria a escapá. Na travessia de uma vazante, uma pintada negaceava a rês que passava. Noitinha, a lua graúda espelhava nas aguada, que dava pra vê os jacaré mergulhá. A peonada na rede, o fogo apagado, só se via os zóio dos boi “y la luna plateada”. Foi quando, um esturro, uma gritaria, e os boi parecia chora de temor. De perto eu mais compadre Jaú, quando vimo que a danada bufava e grunhia qual um marruá. Saquei meu pau de ferro e dei dois tiro. Um derrubou a gata e outro arrematou o serviço. Na manhã clarinha fomos conferir e além dos boi se foi dois cumpanhêro. Saldade do meeiro Araquém e do culatrero Siô Preto véi. Meio ao sangue de boi achemo meu cachorro piloto que tentava escapá. Saímo dessa por sorte e agora essa historia eu venho lembrá. Sai do meu peito doída como o som da minha viola neste chamamé sofrido onde, eu vivo, posso potiá. Essa lida é dura quem tem sorte vence quem nun tem vira lembraça . Pantanal é cenário da luta do homem pela vida, contra sua própria sorte e esperança, com Deus como testemunha e as dez cordas prá a morte afugentá.

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