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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

TROVADOR CAMALOTEIRO

Sou donde as águas espelham o céu, em noite de lua. Viajante coricheiro, estradeiro de beira-mato, contenda do criador. Carrego no peito o respeito e no alforje a dor, que trovo "en Ava Ñe' e". Sou pirangueiro salineiro, filho dos sete povos, missionário pampiano, donde o vento aragano me lembra que a brisa minuana com o sol se vai. Con mis templas pudo librarme de la negra ilusión del Mondii. Porque en la tierra del lugar no hay buena suerte y si la pelea para vivir libre e trabajar. Amante de los pagos Guaranys, herederos de la traición “una”. Além de minha tendência oral, maior que tudo e que rega meu caminho, o Pantanal. My canto se rima con los piados del pajarito qui suplica por su morada, en los camalotes, como un trovador...

NAVEGANTE DO XARAÉS

(Poesia Pantaneira)
Sou Pantaneiro, violeiro e payador,
Letrado nas dez cordas, sou poeta cantador,
Meu sangue traz o vemelho da terra, na péle o moreno do sol,
Sou Bugre da fronteira, na bruaca “traigo caña”, na guaiaca chamamé.
Nascido na beira da aguada, criado de sol a sol,
Fui meieiro, culatreiro fui ponteiro fui peão,
Laçador de marruá, de cima desse baguá, contemplo meu chão.
Se topo com um desafio, não temo e luto, qual dourado no anzol.
Sou índio curandeiro, cururueiro trovador,
Tocador de boiada, “che ha`e toro pochy, akakuâa mba`apo pojhýipe”.
Visionário Guarany, cavaleiro, canoeiro e domador.
Sigo navegante dessas terras, no mar desse sertão.
Trovador das enrramadas, poeta da madrugada, sou ator.
A comitiva é minha família e eu sou meu capitão.
Debaixo do cambará, com meu chapéu carandá, minha cama é esse chão,
Nem a cheia nem o frio, nem a onça no cil, me impedem por onde eu for.
Sou da terra alagada, onde cantam os aranquãs,
Onde pasta o campeiro, caça a pintada, jacarés e taxãs.
Na manhã o trinca-ferro faz compasso e na mata o estardalhaço do bugiu.
Onde a garça faz seu ninho, meio ao brejo e o espinho donde o peixe já fugiu.
Parto rimando essa quadra, matula do coração.
Ponteando essas cordas da Turina ao Bordão,
Sigo Rio-Abaixo, Rio-Acima em busca de “una china, mitãkuña”.
Uma mestiça da terra, uma índia féra anhanguera, “la guaina porã”.